Para existir racismo reverso, tínhamos que ter uma história reversa

 

Manifestantes em protesto contra o racismo em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/Anadolu Agency via Getty Images)

 

Bayer e Magazine Luiza fizeram processos seletivos para trainees, muito bem pagos, exclusivos para negros. E tem uns desavisados acusando as empresas de racistas ao revés; ou seja, racistas contra gente branca. O capitalismo é estruturalmente racista contra gente preta. Angela Davis já deixou isso mais que evidente. Afinal, é um sistema que se globalizou e se tornou hegemônico tendo como principal commodity o corpo preto. A escravidão fundou o capitalismo e o capitalismo fundou a escravidão moderna. Então, qualquer lucro contemporâneo tem a opressão escravocrata no DNA. Isso é ponto pacífico, é história.

Mas o papo aqui é racismo reverso. Vamos fazer um exercício de imaginação para pensar o que seria isso. Imagine que diversos países da África Subsaariana tivessem formado um cartel, no final do século XV para explorar terras estrangeiras. Digamos que eles tenham batizado esse cartel de Companhia da Europa Ocidental, e usado seus recursos financeiros conjuntos para enviar piratas através do Mediterrâneo. Depois de tomar o sul da Itália, que estava desguarnecida por conta dos esforços de guerra contra o Império Otomano, eles tivessem insuflado os conflitos intra-europeus e se aproveitado da economia de terra arrasada para comprar gente a preço de banana.

Paralelamente, imagine que o mesmo cartel tivesse invadido e colonizado um continente até então desconhecido dos africanos e precisassem de mão-de-obra para explorá-lo. Não apenas porque o território era imenso, mas também porque logo de cara eles tivessem simplesmente massacrado a população local, sem mais nem porquê. Ou seja, eles utilizariam mão de obra escrava europeia e ainda batizariam essa brutalidade genocida e escravocrata de “missão civilizatória”.
 

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Com o lucro dessa exploração a custo quase zero, digamos que os reinos do Nkongo, Nsoyo e Matamba-Ndongo tivessem se emancipado da necessidade de produção primária e pudessem se dedicar a atividades como a arte, a ciência, a filosofia e a literatura. Conforme o método científico produzisse uma explosão de conhecimento na costa oeste do continente, literatos africanos passariam a se dedicar ao esforço de estudar suas próprias vítimas arianas, com o intuito puro e simples de explicar sua própria superioridade em relação aos outros povos do mundo. E o único critério para estabelecer a diferença seriam as caraterísticas fenotípicas, superficiais – cor da pele, tamanho das mãos, formato da cabeça… Eles testariam suas teorias em cativos vivos, extrairiam seu sangue, suor, lágrimas, carne e alma até determinarem que gente de pele branca é menos inteligente, resistente ao trabalho pesado e à dor, incapaz de viver uma vida civilizada. Mais ainda, determinariam que quem tem pele branca não é nem gente. É um animal bípede sem alma.

Gente branca construiu esse sistema que matou milhões de pessoas só no trajeto entre o continente africano e as américas. Racismo ao contrário não existe. Porque não foi ao contrário que se criou o racismo”
Vanessa Oliveira e Gabriel Rocha Gaspar

Apaziguado pela tortura e o terror o ímpeto de liberdade dos pobres brancos escravizados, os algozes africanos exibiriam brancos em zoológicos, para o deleite de sua alta sociedade. Quando seu sistema de exploração total atingisse o limite e os africanos sentissem necessidade de criar mercados consumidores para desaguar a enormidade de supérfluos que seu próprio sistema de exploração total conseguiu gerar, eles simplesmente expulsariam os brancos escravizados das senzalas e os abandonariam à própria sorte, com uma mão na frente e outra atrás. Aos homens, sobraria o subemprego e a criminalidade; às mulheres, a prostituição e a servidão nas casas da elite africana.

Além disso, os africanos colocariam milícias armadas para caçá-los, aterrorizá-los, prendê-los, torturá-los, estruprá-los. Um xerife dum condado qualquer de uma colônia africana com um nome tipo Jamal Lynch inventaria uma prática de justiçamento popular de brancos que se tornaria conhecida como “linchamento”. Durante meio século, os brancos de todo o novo continente viveriam sob o medo constante de ser espancados até a morte por qualquer razão banal – ou por razão nenhuma.

Mesmo depois de abolido o linchamento, os brancos continuariam sem reparação nenhuma pelos quatro séculos de exploração total. Pelo contrário, seriam criminalizados e discriminados por uma máquina de propaganda de alcance internacional, que marcaria os brancos como predadores sexuais violentos, indolentes, preguiçosos, pré-dispostos à criminalidade e a procriação descontrolada.

Se tudo isso tivesse acontecido, concordaríamos que existe racismo reverso. Só que não aconteceu. Quem sofreu tudo isso que narramos foram as pessoas de origem africana. Gente branca inventou as raças. Gente branca inventou o racismo. Gente branca construiu esse sistema que matou milhões de pessoas só no trajeto entre o continente africano e as américas. Racismo ao contrário não existe. Porque não foi ao contrário que se criou o racismo.
 

Manifestantes no Rio de Janeiro carregam cruzes com os nomes de crianças mortas em decorrência do racismo (Foto: Buda Mendes/Getty Images)

 

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